Escrita por Moreira da Silva, Geraldo Pereira e Ribeiro Cunha, foi lançada em 1952 pelo própro Moreira da Silva. Seria regravada por Wilson Simonal (1974), Jards Macalé e Zeca Baleiro (2001), entre outros artistas. Na verdade, a gravação de Moreira ficou tão marcante que pouca gente se atreveu a regravar. Fala de um malandro que deu uma surra na mulher do narrador e ele vai procurá-lo pra tirar a forra, afinal nao é possivel se bater em uma mulher que não é sua.
A letra:
Na
subida do morro me contaram
Que você bateu na minha nêga
Isso
não é direito
Bater numa mulher
Que não é sua
Deixou a
nêga quase nua
No meio da rua
A nêga quase que virou
presunto
Eu não gostei daquele assunto
Hoje venho
resolvido
Vou lhe mandar para a cidade
De pé junto
Vou lhe
tornar em um defunto
Você mesmo sabe
Que eu já fui um
malandro malvado
Somente estou regenerado
Cheio de malícia
Dei
trabalho à polícia
Prá cachorro
Dei até no dono do
morro
Mas nunca abusei
De uma mulher
Que fosse de um
amigo
Agora me zanguei consigo
Hoje venho animado
A lhe
deixar todo cortado
Vou dar-lhe um castigo
Meto-lhe o aço no
abdômen
E tiro fora o seu umbigo
Aí meti-lhe o aço, quando ele vinha
caindo disse,
- 'Morengueira, você me feriu",
Eu então
disse-lhe:
- 'É claro, você me desrespeitou, mexeu com a minha
nega'.
Você sabe que em casa de vagabundo, malandro não pede
emprego. Como é que você vem com xavecada, está armado? Eu quero é
ver gordura que a banha está cara!
Aí meti a mão lá na duana,
na peixeira, é porque eu sou de Pernambuco, cidade pequena, porém
decente, peguei o Vargolino pelo abdome, desci pelo duodeno, vesícula
biliar e fiz-lhe uma tubagem; ele caiu, bum!, todo ensangüentado.
E
as senhoras, como sempre, nervosas:
- "Meu Deus, esse homem
morre, Moço! Coitado, olha aí, está se esvaindo em sangue'
-
'Ora, minha senhora, dê-lhe óleo acanforado, penicilina,
estreptomicina crebiosa, engrazida e até vacina Salk'
Mas o homem
já estava frio. Agora, o malandro que é malandro não denuncia o
outro, espera para tirar a forra.
Então diz o malandro:
Vocês não se afobem
Que o homem
dessa vez
Não vai morrer
Se ele voltar dou prá valer
Vocês
botem terra nesse sangue
Não é guerra, é brincadeira
Vou
desguiando na carreira
A justa já vem
E vocês digam
Que
estou me aprontando
Enquanto eu vou me desguiando
Vocês vão
ao distrito
Ao delerusca se desculpando
Foi um malandro
apaixonado
Que acabou se suicidando.
A versão de Moreira da Silva:
A versão de Wilson Simonal:
A versão de Jards Macalé e Zeca Baleiro:
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