Thursday, April 10, 2025

004 – Luiz Gonzaga – Vozes da seca (1953)

 


Escrita por Luiz Gonzaga e Zé Dantas, foi lançada em 1953. Nesse ano, o nordeste brasileiro foi assombrado por uma seca terrível, com grande sofrimento pra população daquele pedaço do Brasil. Houve uma imigração grande pras grandes cidades, especialmente Rio de Janeiro e São Paulo. Indignados com a inércia do governo federal, Gonzaga e Zé Dantas fizeram essa música em protesto contra esse descaso. Primeiro agradece aos sulistas pelo apoio, mas lembra ao presidente que também fazem parte do Brasil e não merecem ser abandonados. Avisa que metade do Brasil tá sem comer, e que encha os rios e barragens, dê comida à preço bom, sem esquecer a açudagem. E que não querem esmolas, que no fim dessa estiagem, os nordestinos pagam até os juros. E alerta, não querem esmola, pois uma esmola pra um homem são, ou o mata de vergonha ou vicia o cidadão. Foi regravada por Belchior (1985), Fagner com Luiz Gonzaga (1988), Dominguinhos com Elba Ramalho (1997), Genival Lacerda com Flávio José (2012), Marina Elali com Chorão (2013), entre outros artistas.


A letra:


Seu doutor, os nordestinos têm muita gratidão
Pelo auxílio dos sulistas nesta seca do sertão
Mas doutor, uma esmola a um homem que é são
Ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão


É por isso que pedimos proteção a vosmicê
Homem, por nós, escolhido, para as rédias do poder
Pois doutor, dos vinte estados, temos oito sem chover
Veja bem, mais da metade do Brasil tá sem comer


Dê serviço a nosso povo, encha os rios e barragens
Dê comida a preço bom, não esqueça a açudagem
Livre assim, nós da esmola, que no fim desta estiagem
Lhe pagamo inté os juros sem gastar nossa coragem


Se o doutor fizer assim, salva o povo do sertão
Quando um dia a chuva vim, que riqueza pra nação
E nunca mais nós pensa em seca, vai dá tudo neste chão
Como vê, nosso destino, mercêr tem na vossa mão


Mercêr tem na vossa mão


A versão de Luiz Gonzaga:



A versão de Dominguinhos com Elba Ramalho:



A versão de Genival Lacerda e Flávio José:



Friday, April 4, 2025

003 – Luiz Gonzaga – Pau-de-Arara (1952)



Escrita por Luiz Gonzaga e Guio de Moraes, foi lançada em 1952. Tem que prestar atenção que não se trata da música Último Pau de Arara, gravada por Fagner anos depois. Essa é somente Pau-de-Arara. Conta a história de um nordestino que sai de sua casa e vai pro sul maravilha, somente com a cara e a coragem, com as roupas dentro de um saco. Mas trouxe um triangulo, uma zabumba e um gonguê pra tocar sua música. Foi regravada por Marília Medalha em 1968, por Maria Bethania em 1972, Clara Nunes em 1974, Dominguinhos em 1982, Sirano em 1988, Elba Ramalho em 1990, Oswaldinho do Acordeon em 1993, Gilberto Gil em 2000, Zé Ramalho em 2000, Zezo em 2005, Chico César em 2012, Sandro Becker em 2012, Lenine em 2015, Alceu Valenca em 2021, entre outros.


A letra:


Quando eu vim do sertão, seu moço, do meu Bodocó
A malota era um saco e o cadeado era um nó
Só trazia a coragem e a cara viajando num pau de arara
Eu penei, mas aqui cheguei
Eu penei, mas aqui cheguei


Trouxe um triângulo (no matolão)
Trouxe um gonguê (no matolão)
Trouxe um zabumba (dentro do matolão)
Xote, maracatu e baião
Tudo isso eu 'truxe no meu matolão


Quando eu vim do sertão, seu moço, do meu Bodocó
A malota era um saco e o cadeado era um nó
Só trazia a coragem e a cara viajando num pau de arara
Eu penei, mas aqui cheguei
Eu penei, mas aqui cheguei


Trouxe um triângulo (no matolão)
Trouxe um gonguê (no matolão)
Trouxe um zabumba (dentro do matolão)
Xote, maracatu e baião
Tudo isso eu 'truxe no meu matolão


Trouxe um triângulo (no matolão)
Trouxe um gonguê (no matolão)
Trouxe um zabumba (dentro do matolão)
Xote, maracatu e baião
Tudo isso eu 'truxe no meu matolão


Quando eu vim do sertão, seu moço, do meu Bodocó
A malota era um saco e o cadeado era um nó
Só trazia a coragem e a cara viajando num pau de arara
Eu penei, mas aqui cheguei
Eu penei, mas aqui cheguei, mas aqui cheguei


A versão de Luiz Gonzaga:



A versão de Zé Ramalho:



A versão de Alceu Valença:



Wednesday, April 2, 2025

002 – Moreira da Silva – Na subida do morro (1952)



Escrita por Moreira da Silva, Geraldo Pereira e Ribeiro Cunha, foi lançada em 1952 pelo própro Moreira da Silva. Seria regravada por Wilson Simonal (1974), Jards Macalé e Zeca Baleiro (2001), entre outros artistas. Na verdade, a gravação de Moreira ficou tão marcante que pouca gente se atreveu a regravar. Fala de um malandro que deu uma surra na mulher do narrador e ele vai procurá-lo pra tirar a forra, afinal nao é possivel se bater em uma mulher que não é sua.


A letra:


Na subida do morro me contaram
Que você bateu na minha nêga
Isso não é direito
Bater numa mulher
Que não é sua
Deixou a nêga quase nua
No meio da rua
A nêga quase que virou presunto
Eu não gostei daquele assunto
Hoje venho resolvido
Vou lhe mandar para a cidade
De pé junto
Vou lhe tornar em um defunto

Você mesmo sabe
Que eu já fui um malandro malvado
Somente estou regenerado
Cheio de malícia
Dei trabalho à polícia
Prá cachorro
Dei até no dono do morro
Mas nunca abusei
De uma mulher
Que fosse de um amigo
Agora me zanguei consigo
Hoje venho animado
A lhe deixar todo cortado
Vou dar-lhe um castigo
Meto-lhe o aço no abdômen
E tiro fora o seu umbigo

Aí meti-lhe o aço, quando ele vinha caindo disse,
- 'Morengueira, você me feriu",
Eu então disse-lhe:
- 'É claro, você me desrespeitou, mexeu com a minha nega'.
Você sabe que em casa de vagabundo, malandro não pede emprego. Como é que você vem com xavecada, está armado? Eu quero é ver gordura que a banha está cara!
Aí meti a mão lá na duana, na peixeira, é porque eu sou de Pernambuco, cidade pequena, porém decente, peguei o Vargolino pelo abdome, desci pelo duodeno, vesícula biliar e fiz-lhe uma tubagem; ele caiu, bum!, todo ensangüentado.
E as senhoras, como sempre, nervosas:
- "Meu Deus, esse homem morre, Moço! Coitado, olha aí, está se esvaindo em sangue'
- 'Ora, minha senhora, dê-lhe óleo acanforado, penicilina, estreptomicina crebiosa, engrazida e até vacina Salk'
Mas o homem já estava frio. Agora, o malandro que é malandro não denuncia o outro, espera para tirar a forra.
Então diz o malandro:

Vocês não se afobem
Que o homem dessa vez
Não vai morrer
Se ele voltar dou prá valer
Vocês botem terra nesse sangue
Não é guerra, é brincadeira
Vou desguiando na carreira
A justa já vem
E vocês digam
Que estou me aprontando
Enquanto eu vou me desguiando
Vocês vão ao distrito
Ao delerusca se desculpando
Foi um malandro apaixonado
Que acabou se suicidando.


A versão de Moreira da Silva:



A versão de Wilson Simonal:



A versão de Jards Macalé e Zeca Baleiro:


 

Tuesday, April 1, 2025

001 – Luiz Gonzaga – Paraíba (1952)



Escrita por Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, foi gravada inicialmente por Emilinha Borba, em 1950. A nossa versão escolhida no entanto é a versão do autor, Luiz Gonzaga, lançada em 1952. Foi escrita pra mostrar a força do Estado da Paraíba. O presidente do Brasil era Washington Luiz e ele apoiava Júlio Prestes pra seu sucessor. Todos os estados do Brasil apoiaram o candidato do então presidente, com exceção de três; Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Paraíba. Assim, Getúlio saiu como o candidato à presidente pelo estado do Rio Grande do Sul, convidando o paraibano João Pessoa pra ser seu vice. Acontece que na mesma época, João Pessoa brigava com o Coronel José Pereira, de Princesa Isabel, que era aliado de João Dantas, também inimigo de João Pessoa. João Dantas escrevia insultoa à João Pessoa nos jornais. João Pessoa mandou invadir a casa de João Dantas e lá dentro encontrou cartas da amante de João Dantas, chamada Anaide Beiriz. As cartas foram divulgadas nos jornais também. João Dantas descobriu que João Pessoa estava em Recife, na Confeitaria Glória e meteu-lhe bala. Isso foi o estopim pra Revolução de 1930. E a Paraíba foi o primeiro estado a dar o passo pra isso acontecer. Foi regravada por Wilson Simonal (1968), Maria Alcina (1973), Silvio Santos (1974), Dominguinhos (1982), Zé Ramalho (1992), Chico César (1995), Os Paralamas do Sucesso (1995), Luiz Caldas (1998), Paulo Diniz (2002), Sandro Becker (2012), entre outros.


A letra:


Quando a lama virou pedra e mandacaru secou
Quando o ribaçã de sede bateu asa e voou
Foi aí que eu vim me embora carregando a minha dor
Hoje eu mando um abraço pra ti pequenina


Paraíba masculina
Muié macho, sim sinhô

Paraíba masculina
Muié macho, sim sinhô


Eita pau pereira que em Princesa já roncou
Eita Paraíba muié macho sim sinhô

Eita pau pereira meu bodoque não quebrou
Hoje eu mando um abraço pra ti pequenina


Paraíba masculina
Muié macho, sim sinhô
Paraíba masculina
Muié macho, sim sinhô


Quando a lama virou pedra e mandacaru secou
Quando o ribaçã de sede bateu asa e voou
Foi aí que eu vim me embora carregando a minha dor
Hoje eu mando um abraço pra ti pequenina


Paraíba masculina
Muié macho, sim sinhô

Paraíba masculina
Muié macho, sim sinhô


Eita eita muié macho, sim sinhô
Eita eita muié macho, sim sinhô

Muié macho, sim sinhô

Muié macho, sai pra lá peste, sim sinhô


A versão de Luiz Gonzaga:



A versão de Zé Ramalho:



A versão de Chico César:



004 – Luiz Gonzaga – Vozes da seca (1953)

  Escrita por Luiz Gonzaga e Zé Dantas, foi lançada em 1953. Nesse ano, o nordeste brasileiro foi assombrado por uma seca terrível, com ...