Escrita por Luiz Gonzaga e Zé Dantas, foi lançada em 1953. Nesse ano, o nordeste brasileiro foi assombrado por uma seca terrível, com grande sofrimento pra população daquele pedaço do Brasil. Houve uma imigração grande pras grandes cidades, especialmente Rio de Janeiro e São Paulo. Indignados com a inércia do governo federal, Gonzaga e Zé Dantas fizeram essa música em protesto contra esse descaso. Primeiro agradece aos sulistas pelo apoio, mas lembra ao presidente que também fazem parte do Brasil e não merecem ser abandonados. Avisa que metade do Brasil tá sem comer, e que encha os rios e barragens, dê comida à preço bom, sem esquecer a açudagem. E que não querem esmolas, que no fim dessa estiagem, os nordestinos pagam até os juros. E alerta, não querem esmola, pois uma esmola pra um homem são, ou o mata de vergonha ou vicia o cidadão. Foi regravada por Belchior (1985), Fagner com Luiz Gonzaga (1988), Dominguinhos com Elba Ramalho (1997), Genival Lacerda com Flávio José (2012), Marina Elali com Chorão (2013), entre outros artistas.
A letra:
Seu
doutor, os nordestinos têm muita gratidão
Pelo auxílio dos
sulistas nesta seca do sertão
Mas doutor, uma esmola a um homem
que é são
Ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão
É por isso que pedimos proteção a
vosmicê
Homem, por nós, escolhido, para as rédias do poder
Pois
doutor, dos vinte estados, temos oito sem chover
Veja bem, mais da
metade do Brasil tá sem comer
Dê serviço a nosso povo, encha os
rios e barragens
Dê comida a preço bom, não esqueça a
açudagem
Livre assim, nós da esmola, que no fim desta
estiagem
Lhe pagamo inté os juros sem gastar nossa coragem
Se o doutor fizer assim, salva o povo
do sertão
Quando um dia a chuva vim, que riqueza pra nação
E
nunca mais nós pensa em seca, vai dá tudo neste chão
Como vê,
nosso destino, mercêr tem na vossa mão
Mercêr tem na vossa mão
A versão de Luiz Gonzaga:
A versão de Dominguinhos com Elba Ramalho:
A versão de Genival Lacerda e Flávio José: